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Como importar da China para o Brasil: etapas, impostos e documentos

RADAR, DUIMP, NCM e certificações, o passo a passo, os impostos de 2026 e o que muda com a reforma tributária em 2027, com um exemplo de custo completo.

Equipe Supro Group

A China é o principal fornecedor do Brasil, e muitas empresas pequenas e médias pensam em comprar direto da fábrica em vez de passar por um importador local. Dá para ganhar em preço e em controle sobre o produto, mas o Brasil é um dos países mais exigentes para importar: há habilitação prévia, vários impostos em cascata e uma fiscalização atenta aos valores declarados. Este guia resume o que você precisa saber, em linguagem direta.

Antes de começar: o que você precisa ter pronto

  • CNPJ e habilitação no Siscomex (o RADAR) concedida pela Receita Federal. As modalidades são Expressa (até US$ 50.000 por semestre), Limitada (até US$ 150.000 por semestre) e Ilimitada. Peça antes de fazer o pedido: o processo leva tempo.
  • Um despachante aduaneiro, que registra a declaração de importação. Desde abril de 2026 a DUIMP (Declaração Única de Importação) é obrigatória para a maioria das importações marítimas e substitui a antiga DI.
  • O código NCM do seu produto: ele define o Imposto de Importação (II), o IPI e se há licenças a obter.
  • As exigências do produto: certificação INMETRO para muitos bens de consumo (brinquedos, aparelhos elétricos, alguns utensílios de cozinha), ANVISA para itens em contato com alimentos e cosméticos, ANATEL para aparelhos sem fio e de telecomunicação.
  • Rótulos e informações do produto em português, e faturas detalhadas e coerentes entre si: a Receita confere valores e descrições com atenção.

Confirme o NCM e as exigências de INMETRO, ANVISA ou ANATEL com o seu despachante antes de fechar o pedido. Ajustar uma etiqueta ou um teste na China custa pouco; resolver isso com a mercadoria parada no porto custa muito.

Passo a passo

  1. Defina o produto, a quantidade e o preço-alvo, e peça a cotação por escrito.
  2. Avalie e aprove as amostras antes de se comprometer.
  3. Confirme o pedido com uma fatura proforma e pague o sinal (normalmente 30%).
  4. Durante a produção, peça fotos do andamento; antes do embarque, uma inspeção com relatório.
  5. Pague o saldo e receba os documentos: fatura comercial (commercial invoice), romaneio (packing list) e conhecimento de embarque (B/L).
  6. Trânsito marítimo: cerca de 40–50 dias até Santos, pelo Cabo da Boa Esperança. Outros portos comuns: Paranaguá, Itajaí/Navegantes e Rio de Janeiro.
  7. O despachante registra a DUIMP e você paga os impostos.
  8. Com o desembaraço concluído, a mercadoria sai do porto de caminhão até o seu armazém.

Impostos na importação em 2026

O Imposto de Importação (II) incide sobre o valor CIF, que é o valor aduaneiro (mercadoria, frete e seguro). O IPI incide sobre o CIF mais o II, com alíquota de 0 a 15% conforme o NCM. PIS (2,10%) e COFINS (9,65%) incidem sobre o valor aduaneiro. Há ainda o AFRMM, de 8% sobre o frete marítimo, e uma taxa de utilização do Siscomex por declaração. Por último vem o ICMS estadual (17–22%; 18% em São Paulo), calculado "por dentro": a base é (CIF + II + IPI + PIS + COFINS + AFRMM) dividida por (1 − alíquota do ICMS).

Se a sua empresa está no regime normal (Lucro Real ou Presumido), IPI, PIS/COFINS e ICMS geralmente geram créditos. Empresas do Simples Nacional não aproveitam esses créditos: para elas, esses impostos são custo. O Brasil não tem acordo comercial com a China, então se aplica a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul integral; para a maioria dos bens de consumo, algo entre 10 e 35%.

O que muda a partir de 1º de janeiro de 2027

  • Com a reforma tributária (LC 214/2025), PIS e COFINS acabam e dão lugar à CBS. A alíquota de referência será fixada pelo Senado até dezembro de 2026; as estimativas falam em cerca de 8,8%, cobrada com redução de 0,1 ponto em 2027–2028 (cerca de 8,7%), mais o IBS a 0,1% em fase de teste. São estimativas, não números definitivos.
  • Na importação, CBS e IBS são calculados "por fora" sobre o valor aduaneiro + II + AFRMM (+ Siscomex e outros encargos da importação). IPI e ICMS não entram nessa base.
  • O IPI cai a zero para a maioria dos produtos, exceto os que também são fabricados na Zona Franca de Manaus.
  • O ICMS continua e será substituído pelo IBS gradualmente entre 2029 e 2033. Se CBS e IBS entram na base do ICMS a partir de 2027 é tema em disputa: a Fazenda de São Paulo diz que sim, e um tribunal paulista concedeu uma liminar contra isso em setembro de 2026. Nosso exemplo inclui CBS e IBS na base, que é a opção conservadora.
  • Empresas do regime normal têm crédito integral da CBS e do IBS efetivamente pagos.
Exemplo: 5.000 unidades a US$ 2,00 FOB, um contêiner de 20' para Santos (ICMS 18%, SP)20262027 (estimativa)
Mercadoria (FOB)10.000,0010.000,00
Frete marítimo (referência)5.500,005.500,00
Seguro (0,5%)77,5077,50
Valor CIF (valor aduaneiro)15.577,5015.577,50
II (18%)2.803,952.803,95
IPI (5%; em 2027: 0%)919,070,00
PIS (2,10%)327,13—
COFINS (9,65%)1.503,23—
CBS (≈8,7%, estimativa)—1.637,47
IBS (0,1%, teste)—18,82
AFRMM (8% do frete)440,00440,00
ICMS 18% (por dentro)4.735,074.495,11
Porto, despachante e transporte rodoviário (referência)1.500,001.500,00
Custo posto no armazém (US$)27.805,9526.472,85
Por unidade (US$)5,56 (4,06 sem os tributos creditáveis)5,29 (4,06 sem os tributos creditáveis)

O frete e os custos locais mudam com a temporada e com a cidade de destino, e a taxa do Siscomex não aparece separada. Use a tabela como ordem de grandeza e peça ao seu despachante os números do seu produto. No planejador do nosso site você pode alternar entre as regras de 2026 e de 2027.

Erros que mais atrasam uma importação

  • Descobrir a exigência de INMETRO ou ANVISA quando a mercadoria já está no porto.
  • Subfaturar ou usar descrições vagas na fatura: a Receita confere valores e descrições e pode reter a carga.
  • RADAR ainda não liberado, ou com limite baixo demais para o valor do pedido.
  • Documentos atrasados na chegada: cada dia a mais gera armazenagem e sobre-estadia (demurrage) do contêiner.
  • Pagar para uma conta bancária nova recebida por e-mail sem confirmar por telefone.
  • Fechar o pedido tarde demais antes do Ano-Novo Chinês.

Como a Supro pode ajudar

Somos um grupo de comércio exterior com sede em Xangai. Do lado da China, cuidamos do que mais pesa numa primeira importação: buscar e comparar fábricas, enviar amostras para você aprovar, fazer a inspeção antes do embarque com relatório e fotos, e conferir a fatura comercial, o romaneio e o B/L com o que o seu despachante precisa para registrar a DUIMP. O atendimento em português por e-mail é possível. O que não fazemos: prometer preços antes de cotar, nem garantir prazos de aduana, que dependem da Receita e do seu despachante no Brasil.

Resumo

  • Antes de pedir, tenha CNPJ, RADAR com limite suficiente e um despachante aduaneiro; desde abril de 2026 a declaração é a DUIMP.
  • O NCM define II e IPI; confira INMETRO, ANVISA ou ANATEL e rótulos em português.
  • Em 2026 você paga II, IPI, PIS, COFINS, AFRMM e ICMS por dentro; não há acordo com a China, aplica-se a TEC integral.
  • Em 2027 PIS e COFINS viram CBS (alíquota ainda estimada), o IPI cai a zero na maioria dos casos e o ICMS continua.
  • Conte cerca de 40–50 dias de trânsito até Santos, mais produção e desembaraço.

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